quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Profetizando Restauração (Ageu 1.1)

Introdução
Com o cativeiro, Israel e Judá desapareceram como estados independentes. Todo o país ficou em ruínas e sem esperanças, com a arca destruída, o templo queimado e a cidade de Jerusalém completamente assolada. A maior parte do povo estava cativa pelos inimigos. Eles foram tirados da sua terra e levados para um país distante, onde ficaram por setenta anos.
Depois de setenta anos de sofrimento, será que esse povo ainda encontraria forças para a reabilitação?
Então chegou o tempo de voltar para casa, e o instrumento usado por Deus foi Ciro, fundador do Império Persa. Esse imperador decreta que os judeus podem voltar para a sua terra.
Esse é o tempo de Ageu profetizar. Logo após o cativeiro.

I. A sua Personalidade
O seu nome significa festivo, o que indica que ele possivelmente tenha nascido em um dia de festa. Tudo o que sabemos sobre o profeta Ageu está escrito no livro de Esdras. Ele foi o primeiro profeta depois do cativeiro que pregou sobre a restauração do templo. A sua missão era animar o povo judeu a reedificar a casa de Deus.
Ao que tudo indica, ele quando pequeno e antes de ser levado para o cativeiro, conheceu o antigo templo. E quando voltara a Jerusalém, já era homem velho de aproximadamente oitenta anos. Foi nessa época que ele dirigiu as quatro mensagens ao povo, num período de quatro meses.
E a missão de Ageu não se restringe apenas à construção da obra, mas falar “da glória vindoura de Jesus Cristo, de seu reino, e das bênçãos que aguardam as gentes e nações”.
A reestruturação do templo de Deus, a volta do culto e um conceito mais claro de messianismo tinha sido o tema central da mensagem do profeta Daniel há pouco tempo atrás. Portanto, se as promessas a respeito do descendente de Davi se cumpririam, como isso aconteceria sem o templo? Ageu prega que “o povo deveria fazer a sua parte”. O templo era o símbolo da presença de Deus no meio do seu povo.
A mensagem apresentada por Ageu era cheia de convicção; tinha um tom de urgência; exigia obediência inconteste e imediata; tanto que a sua pregação foi imediatamente ouvida; sua palavra levou o povo a um exame de consciência poucas vezes vistas, e em seguida, todos estavam atendendo ao chamado de reconstruir o templo do Senhor.

II. A sua Época de Ministério
Ciro, rei da Pérsia estava no segundo ano de reinado. Pelo livro de Esdras vemos que sob a direção de Zorobabel, líder civil, e de Josué, líder eclesiástico, cerca de quarenta e dois mil judeus regressaram à sua antiga morada e se estabeleceram em Jerusalém ou em localidades próximas. O povo demonstrando estar com saudade do antigo templo, em seguida lançou os fundamentos. Mas logo desistiu ao ser pressionado por opositores religiosos, possivelmente os samaritanos, que não concordavam com a construção do templo, e também pelo desânimo, uma vez que o templo exigia um grande esforço de cada um até que ficasse pronto.
As famílias resolveram mudar os planos e passaram a se interessar pelas suas coisas como casas e negócios particulares. Mesmo em tempos difíceis, eles apainelavam as suas casas. Isso aconteceu por cerca de dezesseis anos. Era quase impossível acreditar que o povo estava esperando tanto tempo para fazer justamente aquilo que veio para fazer quando foi liberto do cativeiro.
O imperador Ciro morreu e em seu lugar ascendeu Dario em 521 a.C. A casa de Deus permanecia abandonada. Haviam levantado um altar para holocaustos e as festas anuais eram muito mal observadas . Então Deus levantou um homem para lembrar o povo que algo estava errado, e que o estava irritando profundamente. Esse profeta era Ageu, que exortou o povo, o governo e o sacerdote para que pusessem as mãos à obra.

III. A sua Mensagem
Há um propósito principal na pregação de Ageu: a reconstrução do templo. Contudo, por que a casa de Deus é um tema central? O Senhor explica: o povo judeu deveria subir em direção às montanhas, possivelmente, o Líbano, para buscar madeira e construir o templo para que ele se agradasse com ela. Deus sempre se agradou de estar no meio do seu povo (Sl 149.4), e mais, Deus se glorifica na sua habitação.
Ageu estava querendo dizer que Deus se glorifica na sua morada, e que, além disso, ele se glorifica por ter um povo que atenta para as suas palavras e as cumpre.
Alem do mais, esse não é um tema novo. Vemos isso quando lembramos da construção do tabernáculo. Após a libertação do Egito, o povo foi induzido a construir o lugar onde Deus habitaria. Quando a construção fora concluída, Deus desceu sobre ela com toda a sua glória. E permaneceu ali para que o povo soubesse que ele estava no meio deles. A comunidade adorava a Deus diante do tabernáculo.
Quando Salomão edificou o primeiro templo, era para substituir o tabernáculo. Ao final da construção, a arca da aliança foi colocada nele, e Deus manifestou a sua glória numa nuvem que encheu o templo. Assim, Deus demonstrava que estava no meio do povo. A direção vinha dele, o cuidado vinha dele e a prosperidade também. Era a maneira de mostrar que Deus estava mantendo o pacto feito com os pais no passado.
Ageu profetiza que Deus está com o povo, sendo esse o próprio cerne e a garantia sobre as promessas que ele fizera a Abraão, Moisés, Josué, Davi e Salomão. Essas promessas “foram repetidas por Isaías quando assegurou ao povo que eles voltariam do exílio (Is 43.5)”.
Deus queria que o seu povo soubesse que ele continuava sendo o mesmo de antes, que mesmo com o exílio, os seus objetivos não foram alterados.
Então, nessa época pós-exílica, algumas coisas são relembradas:
• Os três ofícios (sacerdotal, real e profético) precisam estar funcionando, porque era através deles que a Palavra de Deus era proclamada.
• A necessidade de um templo, porque ele representa a presença de Deus com o povo, como foi no tempo do êxodo.
• O templo servia como meio para Deus testar a obediência e o temor do povo.
Portanto, o tema central é construção, mas não apenas do templo e sim da casa davídica. Deus prometeu estabelecê-la e a cumpriria em Jesus Cristo.
Tendo esse tema como base , encontramos quatro mensagens do profeta num espaço de tempo de quatro meses. Cada mensagem foi dada numa data específica.

a) A primeira mensagem (sexto mês, primeiro dia, cap.1.2-11).
Ageu reprova duramente os judeus pela sua total indiferença sobre a reedificação do templo do Senhor. A dureza da pregação consiste em dizer que eles não mais experimentariam as bênçãos de Deus, a menos que se colocassem para trabalhar.
Deus exorta o povo a considerar os seus caminhos. Como entender um povo que constrói boas casas e não se importa com a casa de Deus? Como poderiam eles esperar bênçãos do Senhor? Será que a negligência e a indiferença poderiam ser premiadas? Deus quer que o povo pense sobre isso.
O povo entende e se coloca à disposição para trabalhar. Há temor pelo Senhor e também pelo profeta nesse momento. É um temor que denota respeito e reverência. Deus promete a sua presença no meio deles, e esse se torna o maior incentivo para que a obra fosse concluída.
Nesse momento, a voz de Deus, através das palavras do profeta Ageu produzem o resultado esperado. O povo se une em torno de um propósito. Começa o trabalho.

b) A segunda mensagem (sétimo mês, dia vinte e um, cap.2.1-9).
O profeta consola aqueles que comparam o novo templo com o antigo templo. Ageu anima o povo ao dizer que Deus estará sempre com eles.
Alguns chegaram a esmorecer quando viram que o novo templo não teria a beleza do anterior. Então começou o choro, pensando talvez, que Deus não estava se agradando do que estavam fazendo. Ageu mostra, então, que Deus sempre esteve e sempre estará com o seu povo, com o povo que ele fez um pacto.
Ageu profetiza sobre o messias dizendo que chegaria o dia esperado por todos em que ele, o redentor e também toda a casa de Deus seriam cheios de glória. E que neste templo, Deus daria a paz, personificada em Cristo, por isso, a glória deste seria maior do que a do anterior.

c) A terceira mensagem (nono mês, dia vinte e quatro, cap.2.10-19).
Alguns meses depois de começar a obra, o povo começa se queixar porque pensa não estar recebendo as bênçãos que esperava. Por isso, o profeta prega que mais importante do que trazer sacrifícios e mesmo reconstruir o templo, é ter um coração reto diante de Deus. Os muitos anos de total indiferença para com as coisas de Deus fez dos judeus um povo culpado e afastado do Senhor, e por isso não experimentava as bênçãos de Deus.
E nesse momento, Deus pede que eles sejam fiéis e aplicados no trabalho, e então ele daria as bênçãos esperadas. Se eles esperavam boas colheitas, elas viriam, se eles esperavam saciar a sua fome, isso aconteceria.

d) A quarta mensagem (nono mês, dia vinte e quatro, cap 2.20-23).
Ageu dirige a sua última mensagem a Zorobabel, que era o governador. A sentença pronunciada a seu avô Joaquim (Jr 22.23) é agora revogada, e uma promessa é dada. Nela, Deus promete preservar o seu povo em meio à queda e ruína dos outros povos do mundo. Quando todos os tronos serão derrubados, Zorobabel permanecerá no coração do Senhor. É uma mensagem de conforto e segurança. Novamente é uma mensagem messiânica porque tem o seu total cumprimento na pessoa de Cristo, o redentor que vive e reina na casa de Davi.

Conclusão
A principal lição desse livro é que nós devemos fazer o que está ao nosso alcance. Para não cruzarmos os braços na primeira dificuldade, mas avançarmos com fé e persistência, apesar das dificuldades. Certamente teremos oposição, mas isso serve para mostrar a importância da obra do Senhor. Se o inimigo tenta minar as estruturas e derrubar toda a construção, lancemos os fundamentos com firmeza e edifiquemos sobre eles. O nosso trabalho em Deus não é vão (1Co 15.58).

Aplicação
Por que obedecemos a Deus, para receber favores ou para glorificar o seu nome?
O que buscamos na nossa religião, o nosso bem estar ou a glória de Deus?
Estamos em melhor situação do que o povo a quem Ageu profetizou?
Ao sermos orientados para manter a obra de Deus e fazê-la prosperar, o que temos respondido? Aqui estou, Senhor? Ou, ainda não é tempo?

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