quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Aliança

“Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”. (Gênesis 12.1-3)

Nos últimos tempos, temos visto igrejas se formando em todos os lugares, apresentando um Deus que parece estar dissociado do que aprendemos sobre ele na Bíblia. É o Deus das soluções estáticas e sobrenaturais, e pregações ecoam em muitos lugares, anunciando essas “soluções”.

A existência de falsos profetas, reconhecida pela Bíblia, reivindicando o fato de serem inspirados por Deus e falarem em seu nome, torna necessária a existência de alguns testes pelos quais eles possam ser conhecidos e distinguidos dos verdadeiros profetas.

Com o objetivo de abordar o macro, a partir do micro, eu olho para a igreja de hoje, ao mesmo tempo em que estudo sobre a igreja de nossos pais, e procuro traçar um paralelo entre as duas. O ideal seria que elas andassem de forma semelhante – com as mesmas práticas. Que a segunda fosse a continuidade da primeira. No entanto, vejo a enorme distância que as separam. E não é apenas o tempo decorrido.

Deus teria mudado a sua maneira de agir? O Deus que é apresentado hoje é o mesmo de ontem? Será que os praticantes da religião cristã estão interpretando a Deus corretamente?

As suas atitudes nem sempre têm correspondido com o que a Bíblia têm ensinado, por isso, a apreciação de Gênesis 12.1-3 tornar-se necessária, principalmente para ver, se a aliança de Deus com Abraão tem implicação para nossa vida hoje, ou não, e também ponderar se o Deus que está sendo apresentado hoje é o mesmo Deus da aliança – e se estamos dentro do mesmo pacto – que chamou Abraão, ou se ele mudou ajustando-se a alguma situação contemporânea.

O que motivou Deus a fazer uma aliança com Abraão? Devemos aceitar como história narrada ou como fábula? O povo que ouviu, ou leu, teria entendido a mensagem? E nós, a entendemos?

Ao longo dos anos, o livro de Gênesis, que é fundamental para toda a Bíblia, por ser o livro que revela a origem de todas as coisas, tem sido atacado, tanto por sua historicidade quanto por sua autenticidade. Isso, porque na história da humanidade sempre houve quem se levantasse para questionar a inerrância e a infalibilidade das Escrituras. Mas através de evidências históricas, documentais, arqueológicas e bíblicas podemos encontrar base para confiarmos em Gênesis.

Quem é o autor fundamental?

Os hebreus deram-lhe o nome de “Bereshith”, devido à sua primeira frase “No princípio...”; no período talmúdico, o livro foi conhecido como o livro da criação do mundo. O título “Gênesis”, se encontra na versão do Antigo Testamento Grego, a LXX, traduzida por judeus em Alexandria, no Egito em 250 a.C.; conforme a tradução de Gn 2:4 (tradução: Este é o registro das origens do céu e da terra). [1] E Jerônimo em 382 d.C. apenas transliterou da LXX, para a sua versão Latina, a Vulgata, o título “Liber Genesis”. E este título é utilizado pela maioria das Bíblias que receberam influência das línguas latina e grega, como o inglês, espanhol, francês e português. [2] O livro leva este nome em virtude de ter como conteúdo a narrativa da origem do universo e do homem na obra criativa de Deus [3] , e em particular da aliança que compõe o povo redimido por Deus. [4]

O livro de Gênesis traz aos seus leitores o conhecimento de fatos importantíssimos para a compreensão do universo, e da aliança do Senhor com o seu povo. Também o conhecimento da origem de todas as coisas, do céu, da terra, do homem, o pecado, o dilúvio, a aliança..., Gênesis é a base, a porta pela qual Deus inicialmente se fez conhecido ao seu povo. Por isso diz-se que Gênesis foi dado como uma instrução divina. [5]

Podemos ressaltar a importância de Gênesis em três áreas principais: [6]

Em relação à história: Descreve a origem de toda a criação apontando ser Deus o seu autor, e delineando uma linha contínua da raça humana a partir de Adão, relatando fatos importantes como a queda, as genealogias, o dilúvio, a aliança, a confusão das línguas em Babel, os patriarcas, a ida do povo de Israel para o Egito. Todavia, não é intenção de Gênesis apresentar a história completa de todas as nações, mas somente o relato especializado da implantação do reino teocrático no mundo e do plano de redenção da humanidade. [7] O livro também explica o cosmo, e atribui a um único relato “a primeira causa” do universo. [8]

Em relação à literatura: Por ser uma obra literária hebraica, é um trabalho que interessa diretamente aos hebreus, já que ela descreve o desenvolvimento da nação Israelita, e também de outros povos no mundo. [9] O livro segue um plano lógico e procura evitar detalhes desnecessários. Os personagens são sempre apresentados como seres humanos reais, descrevendo seus defeitos e pecados cometidos, nunca como figuras mitológicas; a sua importância é ainda maior e mais clara, pelas freqüentes referências feitas a ele nos demais livros da Bíblia. [10]

Em relação à teologia: Gênesis apresenta a pessoa e caráter de Deus. Mostra a presença de Deus como o Senhor que governa, providencia e coopera na história do mundo, e a forma de como ele se relacionou com o homem desde o princípio. Relata a criação e queda do homem, as alianças e promessas divinas de trazer a humanidade à redenção por meio de um redentor. Onde se apresenta o “Proto-Evangelho”; possui também temas proféticos, apontando para o redentor, através de tipos de Cristo.

Gênesis também apresenta o início da “Lei oral”, quando o povo e os patriarcas começam a receber as normas de Deus, as quais ele estabeleceu em sua aliança. [11]

Quanto à autoria desta obra, mesmo que alguns críticos a considerem anônima, a tradição da comunidade judaica e da Igreja Cristã, afirmam que Moisés é o autor de Gênesis, e também de todo o Pentateuco. Não está subscrito, e nem há nenhuma introdução, ou declaração de que a obra pertença inteiramente a Moisés; contudo, podemos obter evidências convincentes internas e externas que confirmam Moisés como o autor de Gênesis.

Mas quando se afirma que Moisés escreveu, ou que é o autor de Gênesis, não se quer dizer necessariamente que ele pessoalmente tenha escrito cada palavra que ali se encontra. [12] Admite-se:

· Que existe a possibilidade do uso de fontes orais e escritas sob orientação divina;

· Que Moisés poderia ter usado escribas, ou amanuenses para registrar os relatos. Admitindo isto, não se quer dizer que tenha delegado poder a outros escritores para a produção de parte do Pentateuco.

· Que pequenas inserções e mudanças no Pentateuco podem ser admitidas sem que se negue a unidade e autoria mosaica da obra, como por exemplo, Deuteronômio 34, pode ter sido escrito por Josué, após a morte de Moisés, pelos seguintes motivos:

a. Analogia de 1 Samuel 25:1;
b. Moisés não teria registrado sua própria morte;
c. A tradição judaica, afirma que foi Josué quem escreveu sobre a morte de Moisés. [13]

Por isso devemos fazer uma diferença quando dizemos que Moisés foi o autor real, ou fundamental do Pentateuco; e levando em conta as possibilidades apresentadas, para a composição do livro, podemos afirmar que, substancial e essencialmente, Gênesis é produto de Moisés, embora ele tenha empregado porções de documentos antigos já existentes, e o uso da tradição oral. [14] Young expressa isso nas seguintes palavras citando Wilson:

"Que o Pentateuco, conforme se encontra, é histórico e data do tempo de Moisés; e que Moisés foi seu autor real, ainda que talvez tenha sido revisado e editado por redatores posteriores, adições essas tão inspiradas e tão verazes como o resto, não há dúvida (A Scientific Investigation of the Old Testament, 1929, p. 11). [15] "

A mensagem para os primeiros ouvintes

Moisés escreveu Gênesis para ensinar e apontar na história de onde o povo de Israel havia descendido, quem era o Senhor, Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e onde na história havia se processado a aliança do Senhor com Israel. Um povo influenciado pelo paganismo egípcio, que possuía um conhecimento muito confuso e obscuro do Deus e de seu pai Abraão. Este povo que agora peregrinava no Deserto do Sinai, liderado por Moisés, o qual os levaria até os arredores do Monte Sinai, onde o Senhor “estabeleceria a aliança com os israelitas, que nada mais era do que uma confirmação, codificação e ampliação do Pacto feito com os patriarcas.” [16]

Moisés queria transmitir ao povo de Deus que o Senhor havia no passado feito uma aliança com Abraão; que o Senhor havia tirado ele do meio de um povo pagão, chamando e separando-o, para uma aliança; e que fez promessas. [17]

A aliança inicialmente havia sido feita com Abraão, e se estendido aos outros patriarcas, e agora era transmitida ao povo de Israel formalmente. “A vocação de Abraão era agora a vocação de Israel, diríamos a escolha e a eleição de Abraão se cumpria agora na escolha e eleição de seu povo.”[18] Havendo uma continuidade na aliança, por causa da Fidelidade do Senhor a sua palavra.

O propósito desta passagem além de apresentar a origem de Israel, a aliança com seu povo, também apresenta qual é o papel do povo eleito, no mundo. Que a libertação de Israel da escravidão, retirando-os do meio de um povo idólatra, como o fez com Abraão, e o levando para a Terra Prometida, não era uma mera separação, mas uma separação para serviço. [19] Da mesma forma que Abraão foi o mediador da aliança anterior, tipificando Cristo, agora o Senhor escolhe Moisés para ser o mediador de Israel diante dEle. E Moisés, descreve Abraão, e a aliança do Senhor, para dar um referencial, de qual aliança eles faziam parte, e de qual aliança Moisés, agora era o Mediador. [20]

Assim, a mensagem para o povo era que eles tomassem consciência que eles tiveram origem no plano divino de uma maneira toda especial, eles foram eleitos pelo Senhor para serem o Seu povo e como descendentes de Abraão haveriam de possuir a terra que lhes era prometida e assim eles deveriam também ser canal de bênção para as demais nações, eles deveriam cumprir a ordem que foi dada a Abraão: “Sê tu uma bênção!”

A teologia empregada na mensagem

Os capítulos de Gênesis 12 a 36 apresentam três indivíduos (um pai - Abraão; um filho – Isaque; e um neto - Jacó) que representam as primeiras três gerações de uma família que Deus escolheu para abençoar. Eles não foram escolhidos porque eram bons. Eles foram escolhidos na base do testamento soberano de Deus – ou seja, a Soberania de Deus. Até mesmo, porque em algumas situações, são eles culpados por terem um comportamento pouco ético, não obstante, Deus se mantém leal à promessa dele. [21]

Deus tem um plano – e nesse plano há uma aliança. O “descendente” é o centro do seu enfoque, enquanto acrescenta muitos aspectos novos. O fato de que é repetido e renovado tão freqüentemente em Gênesis 13, 15, 17, 22, 24, 26 e 28 também constitui outra razão porque os teólogos do Antigo Testamento devem achá-lo de grande significado. [22]

Assim, percebe-se que a teologia do texto de Gênesis 12.1-3 está intimamente ligada à doutrina da aliança como a base mais forte desta doutrina.

Outro ponto fundamental é que teologia da redenção fica mais especificada, deixando claro o propósito da nação de Israel como canal de bênção, e que a redenção do homem seria concluída através da “semente de Abraão”, sendo, portanto, revelado que o Messias, isto é, Jesus Cristo viria da linhagem de Abraão e que ele era a “sua semente”.

A doutrina da Eleição também é nitidamente verificada nesta passagem, Deus escolheu Abraão e a sua semente, levando-o sair de Ur e trazendo-o à terra prometida de Canaã, fazendo uma aliança perpétua lá com ele e seus descendentes, prometendo que a semente dele deveria ser uma bênção para toda a terra (Gn. 11:31-12:7; 15; 17; 22:15-18; Ne. 9:7; é. 41:8). Se a eleição estivesse baseada em mérito e não em graça. Jacó nunca teria sido qualificado! [23] E nisso, podemos verificar a iniciativa de Deus revelando um amor onipotente e livre. [24]

O Senhor mantém relações pactuais com a humanidade, e “a Bíblia é o registro permanente das relações pactuais de Deus com a humanidade através dos séculos.”[25] No texto escolhido (Gn 12:1-3) encontramos nitidamente o Senhor se revelando, indo em direção ao homem, para estabelecer sua aliança com ele. E nessa atitude encontramos os fatores que compõem a aliança. [26] Em seguida será apresentada tanto a teologia como alguns fatores da aliança do Senhor com Abraão.

Deus busca o homem

Em todos os casos onde se encontra registrado que o Senhor estabeleceu sua aliança, a começar no pacto da criação. Em lugar algum do registro divino, se encontra escrito que o homem quis buscar a Deus por iniciativa própria, pelo contrário, sempre é Deus quem soberanamente traz o homem até ele.

Deus requer santidade

Abraão vivia no meio de um ambiente pecaminoso, e certamente era influenciado por ele, embora Deus providencie uma separação honrosa, com a morte de seu pai (Gn 11:32), e depois quando ele o separou de Ló (Gn 13:7-18), o Senhor soberanamente fez com que Abraão ficasse em Canaã, enquanto Ló escolhe para si, as campinas do Jordão (vs. 12). Abraão deveria perder aquele referencial de vida (pecaminosa), e se tornar um referencial de vida conforme a vontade do Senhor (Santo).

Deus recompensa pela obediência

Pela fé Abraão obedeceu, foi um abençoado e um abençoador, e todos os que se relacionassem com ele deveriam respeitar-lhe como agente ou representante do Senhor, e seriam abençoados por isso; caso contrário receberiam a justa punição pela sua arrogância e desrespeito. Quando Abraão obedeceu pela fé, em reposta ao chamado de Deus, que é eficaz, ele recebeu graciosamente várias promessas, tanto espirituais, quando materiais. Então, entendemos que o Senhor nos chama, nos convence de nossas necessidades espirituais, e muda nossa natureza. Ele nos dá fé e assim nos capacita a obedecê-Lo, e mesmo sendo tudo isso de forma graciosa, ele nos recompensa pela nossa obediência, pelo fato de sermos seres morais e termos com responsabilidades diante dEle.

Deus promete bênção e maldição

Não podemos dizer de forma inconseqüente que todas as promessas da Bíblia são para os salvos, pois nela existem promessas de bênção e maldição. Aos participantes da aliança a sua desobediência gera disciplina do Senhor, mas para os que estão fora dessa aliança, gera a ira de Deus, vindo a merecida punição. Em circunstâncias financeiras, os ímpios podem ser prósperos, mas há diferenças enormes entre eles e os servos do Senhor (Sl 34, 37, 73); espiritualmente os ímpios estão mortos, sem ligação nenhuma com Deus, mas os servos do Senhor possuem vida, pois estão numa relação pactual com Deus.

Deus separa o seu povo para o serviço

Quando Deus nos separa, ele exige santificação negativa e positiva. Santificação negativa, pois devemos abster-nos de toda forma do mal, e até de sua aparência (1Ts 5:22). Na santificação positiva, devemos obedecer aos preceitos do Senhor, trabalhar ativamente, praticando o que é bom e agradável ao Senhor. Obedecendo e levando outros a obedecerem também. Sendo luz para iluminar, sendo imitadores de Cristo para que outros vejam em nós o referencial de vida divino, e nos imitem, não como modelo de perfeição, mas de transformação de vida.

Deus nos fez herdeiros da aliança

Paulo expõe isto de forma clara e objetiva interpretando a promessa de Deus a Abraão (12:3), nos capítulos 9,10 e11 de Romanos, quando ele descreve quem é a verdadeira família da aliança.

Quando Moisés escreveu Gênesis, tinha esse objetivo comunicar aquele povo, que eles eram os descendentes de Abraão segundo a carne, e também espiritualmente, embora nem todos, muitos foram nitidamente rejeitados e exterminados no deserto por causa de sua rebelião contra Deus, mesmo sendo israelitas.

Deus nos fez abençoados e abençoadores

Uma vez abençoados, sempre propagadores da bênção. Quando Pedro diz que somos “geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa” (1Pe 2:9) significa que nos tornamos agentes da bênção do Senhor, pois agora o mundo é abençoado através do corpo de Cristo no mundo. Nossa comunhão com Deus nos faz abençoados e abençoadores.

Para pensar...

O homem, ainda no Éden, desacreditou das palavras de Deus; não quis mais ser servidor, e em sua revolta, quis tornar-se igual a Deus; transgrediu a aliança, quebrou sua ligação com Deus. No entanto, Deus não revogou a aliança. Ao contrário, “providenciou a expiação para a culpa da revolta e restauração da Ordem Divina com restabelecimento do convívio do homem com o Criador.” [27] Isso aconteceu ao longo da história, na qual, Deus separou uma família, se revelou a ela, sustentou-a na sua aliança, conviveu com ela e lhe prometeu inúmeras bênçãos. Dessa família, surgiria uma nação, e o seu patriarca (Abraão), seria denominado “amigo de Deus”. Boanerges Ribeiro, no livro Aliança da Graça, conclui:

“Eles creram nas palavras e nas promessas divinas e foram, patriarcas e povo de Israel, receptores de revelações divinas e elos de ligação histórica com o grande evento redentor da expiação e sua seqüência, a Nova aliança. Por isso lemos em Hebreus 11.8:

“Pela fé Abraão, sendo chamado obedeceu indo para um lugar que havia de receber como herança; e saiu sem saber para onde ia”.” [28]

Portanto, quando Deus faz uma aliança com Abraão ele não está apenas providenciando um meio da humanidade caída se voltar para ele, mas também está revelando como é grande o Seu amor por Sua criação. Deus chamou Abraão, lhe fez promessas pessoais e espirituais, mas deixou o cumprimento de tais promessas condicionado à obediência de Abraão, motivando assim, a responsabilidade pessoal de Abraão.

As promessas que Abraão recebeu dizia respeito à sua vida física e também sua vida espiritual. Deus também ordenou a Abraão para que fosse uma bênção. E que em Abraão seriam abençoadas todas as famílias da terra. Quando Deus chamou Abraão do meio de um povo idólatra, não indicava um isolamento, um ascetismo, mas separou Abraão para ser bênção e canal de bênção para outros. Assim, ele deveria cumprir seu papel estabelecido por Deus, isto é, ser uma bênção. Isso é aplicado a nós, hoje. Nós também somos “filhos de Abraão”, e devemos ser bênção para as pessoas, temos de ser o canal de Deus por onde fluem as bênçãos dEle para as pessoas. As pessoas devem ver em nós algo que as motivem a se arrependerem, a confessarem seus pecados e se converterem também ao Senhor.

Jesus Cristo é o “descendente” de Abraão, é o clímax da bênção de Deus. Nós devemos refletir a nossa filiação em Abraão pela fé em Cristo, aceitando o senhorio de Cristo, pois nEle nos tornamos participantes da aliança de Deus em Abraão. Por isso desfrutamos os mesmos benefícios de Abraão e temos também as mesmas responsabilidades de Abraão, isto é, devemos ser uma bênção. O cristianismo deve ser praticado no dia-a-dia, resultando em boas obras.

Assim, a aliança do Senhor sempre vigorará. Mesmo que os homens queiram que Deus mude, que ele se torne mais complacente, mais tolerável para com os pecados do povo e que por mais que os falsos mestres de hoje ensinem e apresentem um “Deus” diferente, mutável, o nosso Deus, o Deus da aliança, o Deus das Escrituras sempre será imutável.

A aliança do Senhor envolve promessas e preceitos que se não forem devidamente observados, trarão sérias conseqüências e sérios castigos a qualquer um que desobedeça a Sua aliança.

Se a aliança é a ordem divina para a humanidade, não como direito adquirido, mas como favor divino, os que tiverem fé nas palavras do Criador, viverão com Deus. Os que transgredirem as instruções do Senhor, serão separados do seu convívio.

Por isso, concluímos que:

Moisés foi o autor não só de Gênesis, mas de todo o Pentateuco em aproximadamente 1450 e 1445 a.C. Há opiniões de autores que negam esta autoria, mas os seus argumentos, além de prejudiciais a integridade da Bíblia são falhos e frágeis. E a ocasião da escrita se deu quando o povo de Israel estava deixando o Egito, sendo liderado por Moisés. A mensagem original foi escrita para eles, com o objetivo de instruí-los sobre as verdades fundamentais divinas e sobre a aliança de Deus para com a nação. O objetivo histórico era produzir uma narrativa autêntica da origem do homem ao ser criado por Deus, sua queda no pecado e as conseqüências, e a introdução do reino de Deus.

O contexto situacional do povo de Israel era de completa ignorância sobre as suas origens e principalmente sobre Deus. Abraão ao ser chamado por Deus recebeu promessas difíceis de serem cumpridas, pela lógica humana, mas, mesmo assim, creu e obedeceu ao chamado de Deus. Percebemos também como Deus se preocupou em preservar uma linhagem que mantivesse um remanescente fiel. Vimos também, como é importante a vida de Abraão e a aliança abraâmica no decorrer de toda história bíblica, sendo citado até mesmo por Jesus e pelos apóstolos.

A passagem é rica na sua estrutura e na sua teologia, formando uma base sólida para várias doutrinas teológicas. Tendo verificado estes aspectos, pudemos aplicar o texto à nossa vida prática, concluindo que o Deus da aliança não muda, Deus fez uma aliança com Abraão e se mantém fiel a esta aliança. Ainda que os homens mudem, ainda que os homens quebrem esta aliança, Deus se mantém fiel à aliança, fiel à sua palavra.

Que Deus nos abençoe e nos ajude a praticar todos estes ensinamentos e não deixá-los apenas como um conhecimento a mais, mas pelo contrário, que o conhecimento possa nos levar a uma prática cada vez mais séria da Palavra de Deus.

Que Deus nos abençoe para que tenhamos condições de defender a fé de nossos pais, e não sucumbamos às práticas contemporâneas que negam o pacto de Deus e suas implicações, bem como a imutabilidade de Deus.

NOTAS:

1 R. K. Harrison, Introducción ao Antiguo Testamento, (Jewison, Michigan, T.E.L.L., 1990), Vol. I, p. 542
2 H. C. Leupold, Exposition of Genesis, (Gran Rapids, Baker house, 1987), p.5
3 S. A. Ellisen, Conheça Melhor o Antigo Testamento (São Paulo, Ed. Vida, 1996), p.15
4 G. L. Archer, Merece Confiança o Antigo Testamento? (São Paulo, Vida Nova, 1991), p.88
5 Van Groningen, From Creation to Consumation, p. 128.
6 D. A. Cardoso, Introdução ao Pentateuco e a Gênesis, (apostila) p. 5
7 D. A. Cardoso, op. cit.,p. 5
8 Ibidem, p. 5
9 Ibidem, p. 5
10 R. N. Champlim, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia,(São Paulo, Ed. Candeia, 1991), vol. IV, p.882
11 D. A. Cardoso,op. cit. p. 5
12 E. J. Young, Introdução ao Antigo Testamento,(São Paulo, Vida Nova,1964),pp. 47-48
13 S. M. Arruda, Isagoge do Velho Testamento, (Apostila não publicada) pp. 19-20
14 O.T. Allis, The Five Books os Moses, (Phillipsburg, New Jersey, Presbyterian and Reformed Publising CO., 1964), pp. 12-14
15 E. J. Young, Op. cit., p.52
16 W.C.Ferreira, Esboço de Teologia Bíblica, (Campinas, Luz Para o Caminho, 1985), pp. 59
17 G. Van Groningen, op. cit., p.124-125
18 W.C.Ferreira, op. cit., p. 59
19 G.VanGroningen, op.cit., p.125
20 Ibidem, p. 177
21 Hamilton, The New International Commentary on the Old Testament – The Book of Gênesis – Chapter 1-17. p. 43.
22 Kaizer. Teologia do Antigo Testamento. p. 42.
23 Hamilton, The New International Commentary on the Old Testament – The Book of Gênesis – Chapter 1-17. p. 43.
24 The New Bible Dictionary, (Wheaton, Illinois: Tyndale House Publishers, Inc.) 1962.
25 Ibidem, p. 56
26 G. Van Groningen, From Creation to Consumation, (Apostila, St. Louis, Missouri, Novembro/1990), Parte II, pp. 306-308.
27 Boanerges Ribeiro, A Aliança da Graça, (São Paulo, Associação Evangélica Reformada Presbiteriana, 2001) p.13
28 Ibidem, ibidem.

Fonte: Revista Pensador Cristão

Na vitória, gratidão! No fracasso, confiança!

A forma como as pessoas vivem define e fé que elas têm. O pensamento define o estilo. O estilo reformado dos cristãos tem motivos que valem a pena serem estudados.
A tradição reformada se identifica com a soberania de Deus e com a predestinação. Embora tenham fracassado todos os esforços para se definir, no calvinismo, uma doutrina central, da qual as outras seriam deduzidas, pode-se levantar a hipótese de que o tema fundamental da teologia calvinista, que serve como ponte para todos os outros é a convicção de que cada ser humano se defronta a todo instante com o Deus vivo.
O ponto principal não é a criatura salva, mas glória devida a Deus. A ênfase em Deus como criador e Senhor dá profundidade à vida. O ser humano não vive na superfície da história universal. A vida das pessoas não é um simples produto da história e das forças naturais. A responsabilidade está enraizada na vontade e nos desígnios de Deus.
O cristão vive na segura confiança de que Deus é maior do que todos os batalhões da terra e de que a vida está subordinada a ele. Calvino entendia a dialética da vida cristã, com extraordinária clareza: "No tempo da prosperidade, enche nosso coração de gratidão e, nos dias tenebrosos, não fracasse a nossa confiança em ti".
A teologia reformada tem resistido contra todas as tentativas de controlar Deus. Ela sés opõe aos esforços para capturar o infinito e indeterminado Deus no que é finito e determinado, quer sejam as imagens, o pão e o vinho do sacramento ou as estruturas da igreja. Deus é livre. Age e fala quando e onde quer.
A responsabilidade humana é ouvir a palavra de Deus. A polêmica reformada contra a idolatria evita que os projetos humanos se excedam, com pretensões exageradas e que acabam por destruir a si mesmos. Somente Deus é suficientemente grande para receber lealdade máxima e total de pessoas, sem destruir o que é realmente humano.
Deus está realizando seu propósito na história. Ele chama seu povo para servir como instrumento de seu propósito. O objetivo divino não é simplesmente a salvação de almas, mas também o estabelecimento de uma comunidade santa e a glorificação de seu nome na terra.
João Calvino insistia que os cristãos devem demonstrar seu cristianismo através de uma vida de santidade. O objetivo da vida cristã, segundo Calvino, é obedecer à vontade de Deus. Portanto, qualquer teologia ou culto que não significa deve ser reexaminado. A vida cristã é, por outro lado, justificação pela graça através da fé e, por outro, santificação.
Embora a santificação esteja inseparavelmente ligada á justificação, elas são diferentes. Na justificação, Deus imputa a justiça de Cristo; na santificação, seu Espírito infunde graça e capacita para exercitá-la. Na justificação, o pecado é perdoado. Na santificação, ele é subjugado. A justificação liberta igualmente todos os crentes do castigo divino de uma de uma forma tão perfeita que eles nunca são condenados nesta vida. a santificação não é igual em todos, nem é alcançada de forma perfeita por ninguém. Sempre pode haver crescimento no rumo da perfeição.
Os reformados defenderam a educação como uma das obrigações cristãs. Valorizaram os estudos de linguagem, leitura, redação e oratória. Deram grande importância á clareza, à lógica e á precisão no procedimento mental. Também prezaram a habilidade para a análise de um problema e para a formulação de uma resposta.
O sermão era um serviço intelectual e uma disciplina mental que tinha um significativo impacto cultural. Todavia os reformados não eram intelectuais. A aprendizagem unida à piedade tinha grande reconhecimento.
A vida mental a serviço de Deus tinha um valor especial para a igreja. O conhecimento e o compromisso eram condições para a admissão à comunhão da mesa. Ele estava convencido de que os cristãos deviam saber o que criam e porque criam.
A pregação estava no próprio centro da reforma, com sermões programados para as diferentes horas do domingo e para a maioria dos dias da semana. Apesar de Calvino mesmo gastar pouco tempo na preparação de seus sermões, utilizando recursos de sua teologia geral, e apesar de freqüentemente repetir o que já havia dito ou escrito, a pregação era ainda a parte mais importante de seu trabalho.
A comunidade reformada tem sempre grande confiança nas palavras escritas e faladas. Em particular, no poder da pregação, que abençoada pelo Espírito Santo, muda a vida humana e cria uma opinião pública piedosa. A exigência de simplicidade, integridade, autenticidade e sinceridade, que tem sido enfatizada geralmente na tradição, aplica-se especialmente à pregação. O sermão calvinista não é ostentador nem pretensioso, mas simples e poderoso. Em grande parte, seu conteúdo, apresentado clara e distintamente, é ao mesmo tempo a retórica e a mensagem.
O centro da preocupação de Calvino com a organização da Igreja está no trabalho pastoral e na "cura de almas". Calvino não somente inscreveu o ofício de pastor na sua estrutura eclesiástica, como também ele mesmo era, acima da igreja, um pastor.
A disciplina, segundo a tradição reformada, pode ser melhor entendida como o uso deliberado e econômico das energias e vitalidades da existência humana em busca da Lealdade de Deus e do avanço do propósito divino no mundo.
A disciplina da tradição reformada, especialmente ilustrada por Calvino e pelos puritanos, não era vista como uma carga. Era uma maneira de vida livremente escolhida, que era considerada como forma de libertação, alegre e responsável, das energias e vitalidades da vida.

Responsabilidade Social

Meus irmãos, enquanto a importância da obra da igreja é claramente espiritual, há também um aspecto material. Em Atos 4:32-37, os discípulos contribuíram para aliviar as necessidades dos santos. A igreja de Jerusalém ajudou as viúvas pobres de seu meio (Atos 6:1-2).
Quando as necessidades dos santos excederam a capacidade da igreja local, outras congregações enviaram dinheiro para ajudá-los (Atos 11:29-30; Romanos 15:25-26; 1 Coríntios 16:1; 2 Coríntios 8:4; 9:1-2; etc.) Deste modo, as igrejas mais ricas ajudavam as mais pobres, demonstrando a verdadeira fraternidade do amor que deverá caracterizar as igrejas de Cristo.
Os complicados sistemas de obras sociais em muitas igrejas modernas não se parecem nem um pouco com a simplicidade do plano do Novo Testamento. Em vez de terem fé para converter o mundo a Cristo, muitas igrejas estão atarefadas convertendo a igreja para se ajustar às expectativas do mundo.
Em nome da religião, algumas usam bandas de "rock" ou outros programas musicais especiais. Outras oferecem festas completas com bebidas alcoólicas e danças. Muitas outras prometem bênçãos materiais e boa saúde para aqueles que se juntarem a suas igrejas. O interesse neste mundo tornou-se tão forte que algumas igrejas parecem mais organizações sociais do que corpos espirituais. Precisamos não perder nossa concentração no céu, pensando que podemos corrigir todos os males sociais de um mundo dominado pelo pecado.
Muitas igrejas se enredaram nos negócios da sociedade moderna, procurando colocar seus membros em lugares de poder político ou investindo os fundos da igreja em negócios. Se elas buscam comprar e operar enormes corporações ou operar pequenas empresas tais como bazares de igreja e balcões de cachorro-quente, estas igrejas estão mostrando claro desrespeito pelo plano que Deus deu. Precisamos ter fé suficiente para estarmos contentes para que a igreja receba dinheiro da maneira que Deus autorizou (contribuições dos crentes, 1 Coríntios 16:1-2) e o use somente nos modos aprovados por Deus.
Quando seguimos o modelo fornecido pelo Novo Testamento, a igreja será suficiente para fazer a obra e terá fartura de obra para fazer. Não temos necessidade nem permissão para envolver a igreja em outros projetos, organizações ou obras inventados pelos homens. Assim como Deus rejeitou o fogo oferecido por Nadabe e Abiú (Levítico 10:1-7), ele rejeitará obras estranhas que os homens introduzem nas igrejas. Tão certo como o Senhor desagradou-se quando Uzá estendeu uma mão de ajuda para fazer o que lhe parecia direito (2 Samuel 6:1-11), como estudamos a alguns dias atrás, ele não quer nossa "ajuda" para encontrar um modo mais eficaz de fazer sua obra. Em ambos casos de pecados fatais, o problema fundamental foi uma falta em seguir exatamente o que Deus tinha instruído. Se desconsideramos suas instruções, não podemos esperar melhor sorte. "Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte" (Provérbios 14:12).
Por isso, irmãos, pensemos em adorar ao Senhor com a nossa vida integral, servindo ao Evangelho integral, para alcançar o homem integral.
Que Deus nos ajude!

Para que o mundo creia!

Por sermos membros da Igreja Presbiteriana do Brasil, somos conhecidos no meio evangélico como um povo que leva a sério o estudo da Palavra de Deus, ou seja, que estudamos a Bíblia com profundidade, e alguns até pejorativamente, nos acusam de termos excesso de doutrina. Isso porque valorizamos a exegese bíblica, que é a extração das verdades fundamentais contidas no Livro Sagrado a tantos séculos, e valorizamos também a sua aplicação nos diferentes contextos da vida.
Somos parte de uma denominação confessional histórica, que desde 1859 no Brasil, tem o objetivo de ser fiel a Deus e relevante na sociedade. E lá se vão 150 anos! A exegese bíblica nos faz íntegros, mas o que nos faz relevantes?
Um autor disse certa vez que a ortodoxia (conhecimento do que é certo), leva a ortopraxia (fazer o que é certo). Por que temos a impressão de que somos estudiosos da Palavra, mas com dificuldades em fazer o que é certo? No caso, a evangelização, o ensino bíblico e a assistência ao ser humano nas suas necessidades.
A minha opinião é que ainda não conseguimos fazer uma exegese cultural. A exegese bíblica nos faz íntegros, pessoas de fé, tementes a Deus; mas é a exegese cultural que nos faz relevantes. A igreja é a soma de integridade e relevância. Caso contrário ela fica isolada, não consegue alcançar o mundo, desenvolve atitudes nostálgicas e melancólicas.
A igreja é pautada pelo futuro. Quando igrejas vão mal, via de regra seus membros estão mal, sem fé, sem esperança, esperando que outros façam o que eles deveriam fazer.
Irmãos, entre o exemplo do veleiro e da lancha, penso que nossa igreja deve se identificar com a lancha. Um veleiro navega ao sabor do vento, a lancha é conduzida por um motor.
Isso é objetividade, efetividade, obediência aos mandamentos, certeza do que ainda não vimos, bem como, descansar nas promessas de Deus.
Quem queremos alcançar? Como alcançaremos? Quando começaremos? Onde estão nossas forças? Com quem poderemos contar? Quais mecanismos poderemos usar?
Partilho da idéia que conversão não é um ponto final. É um início de relevância no contexto em que estamos inseridos. Não é um evento isolado, é um início de relacionamento.
Nesse sentido peço a Deus que a nossa igreja tenha personalidade, competência e dons. Que saiamos dos nossos bancos confortáveis, pois quanto mais tempo sentados no banco da igreja, mais estéreis ficamos. Vamos em frente, semear o reino, para que o mundo creia!

Profetizando Restauração (Ageu 1.1)

Introdução
Com o cativeiro, Israel e Judá desapareceram como estados independentes. Todo o país ficou em ruínas e sem esperanças, com a arca destruída, o templo queimado e a cidade de Jerusalém completamente assolada. A maior parte do povo estava cativa pelos inimigos. Eles foram tirados da sua terra e levados para um país distante, onde ficaram por setenta anos.
Depois de setenta anos de sofrimento, será que esse povo ainda encontraria forças para a reabilitação?
Então chegou o tempo de voltar para casa, e o instrumento usado por Deus foi Ciro, fundador do Império Persa. Esse imperador decreta que os judeus podem voltar para a sua terra.
Esse é o tempo de Ageu profetizar. Logo após o cativeiro.

I. A sua Personalidade
O seu nome significa festivo, o que indica que ele possivelmente tenha nascido em um dia de festa. Tudo o que sabemos sobre o profeta Ageu está escrito no livro de Esdras. Ele foi o primeiro profeta depois do cativeiro que pregou sobre a restauração do templo. A sua missão era animar o povo judeu a reedificar a casa de Deus.
Ao que tudo indica, ele quando pequeno e antes de ser levado para o cativeiro, conheceu o antigo templo. E quando voltara a Jerusalém, já era homem velho de aproximadamente oitenta anos. Foi nessa época que ele dirigiu as quatro mensagens ao povo, num período de quatro meses.
E a missão de Ageu não se restringe apenas à construção da obra, mas falar “da glória vindoura de Jesus Cristo, de seu reino, e das bênçãos que aguardam as gentes e nações”.
A reestruturação do templo de Deus, a volta do culto e um conceito mais claro de messianismo tinha sido o tema central da mensagem do profeta Daniel há pouco tempo atrás. Portanto, se as promessas a respeito do descendente de Davi se cumpririam, como isso aconteceria sem o templo? Ageu prega que “o povo deveria fazer a sua parte”. O templo era o símbolo da presença de Deus no meio do seu povo.
A mensagem apresentada por Ageu era cheia de convicção; tinha um tom de urgência; exigia obediência inconteste e imediata; tanto que a sua pregação foi imediatamente ouvida; sua palavra levou o povo a um exame de consciência poucas vezes vistas, e em seguida, todos estavam atendendo ao chamado de reconstruir o templo do Senhor.

II. A sua Época de Ministério
Ciro, rei da Pérsia estava no segundo ano de reinado. Pelo livro de Esdras vemos que sob a direção de Zorobabel, líder civil, e de Josué, líder eclesiástico, cerca de quarenta e dois mil judeus regressaram à sua antiga morada e se estabeleceram em Jerusalém ou em localidades próximas. O povo demonstrando estar com saudade do antigo templo, em seguida lançou os fundamentos. Mas logo desistiu ao ser pressionado por opositores religiosos, possivelmente os samaritanos, que não concordavam com a construção do templo, e também pelo desânimo, uma vez que o templo exigia um grande esforço de cada um até que ficasse pronto.
As famílias resolveram mudar os planos e passaram a se interessar pelas suas coisas como casas e negócios particulares. Mesmo em tempos difíceis, eles apainelavam as suas casas. Isso aconteceu por cerca de dezesseis anos. Era quase impossível acreditar que o povo estava esperando tanto tempo para fazer justamente aquilo que veio para fazer quando foi liberto do cativeiro.
O imperador Ciro morreu e em seu lugar ascendeu Dario em 521 a.C. A casa de Deus permanecia abandonada. Haviam levantado um altar para holocaustos e as festas anuais eram muito mal observadas . Então Deus levantou um homem para lembrar o povo que algo estava errado, e que o estava irritando profundamente. Esse profeta era Ageu, que exortou o povo, o governo e o sacerdote para que pusessem as mãos à obra.

III. A sua Mensagem
Há um propósito principal na pregação de Ageu: a reconstrução do templo. Contudo, por que a casa de Deus é um tema central? O Senhor explica: o povo judeu deveria subir em direção às montanhas, possivelmente, o Líbano, para buscar madeira e construir o templo para que ele se agradasse com ela. Deus sempre se agradou de estar no meio do seu povo (Sl 149.4), e mais, Deus se glorifica na sua habitação.
Ageu estava querendo dizer que Deus se glorifica na sua morada, e que, além disso, ele se glorifica por ter um povo que atenta para as suas palavras e as cumpre.
Alem do mais, esse não é um tema novo. Vemos isso quando lembramos da construção do tabernáculo. Após a libertação do Egito, o povo foi induzido a construir o lugar onde Deus habitaria. Quando a construção fora concluída, Deus desceu sobre ela com toda a sua glória. E permaneceu ali para que o povo soubesse que ele estava no meio deles. A comunidade adorava a Deus diante do tabernáculo.
Quando Salomão edificou o primeiro templo, era para substituir o tabernáculo. Ao final da construção, a arca da aliança foi colocada nele, e Deus manifestou a sua glória numa nuvem que encheu o templo. Assim, Deus demonstrava que estava no meio do povo. A direção vinha dele, o cuidado vinha dele e a prosperidade também. Era a maneira de mostrar que Deus estava mantendo o pacto feito com os pais no passado.
Ageu profetiza que Deus está com o povo, sendo esse o próprio cerne e a garantia sobre as promessas que ele fizera a Abraão, Moisés, Josué, Davi e Salomão. Essas promessas “foram repetidas por Isaías quando assegurou ao povo que eles voltariam do exílio (Is 43.5)”.
Deus queria que o seu povo soubesse que ele continuava sendo o mesmo de antes, que mesmo com o exílio, os seus objetivos não foram alterados.
Então, nessa época pós-exílica, algumas coisas são relembradas:
• Os três ofícios (sacerdotal, real e profético) precisam estar funcionando, porque era através deles que a Palavra de Deus era proclamada.
• A necessidade de um templo, porque ele representa a presença de Deus com o povo, como foi no tempo do êxodo.
• O templo servia como meio para Deus testar a obediência e o temor do povo.
Portanto, o tema central é construção, mas não apenas do templo e sim da casa davídica. Deus prometeu estabelecê-la e a cumpriria em Jesus Cristo.
Tendo esse tema como base , encontramos quatro mensagens do profeta num espaço de tempo de quatro meses. Cada mensagem foi dada numa data específica.

a) A primeira mensagem (sexto mês, primeiro dia, cap.1.2-11).
Ageu reprova duramente os judeus pela sua total indiferença sobre a reedificação do templo do Senhor. A dureza da pregação consiste em dizer que eles não mais experimentariam as bênçãos de Deus, a menos que se colocassem para trabalhar.
Deus exorta o povo a considerar os seus caminhos. Como entender um povo que constrói boas casas e não se importa com a casa de Deus? Como poderiam eles esperar bênçãos do Senhor? Será que a negligência e a indiferença poderiam ser premiadas? Deus quer que o povo pense sobre isso.
O povo entende e se coloca à disposição para trabalhar. Há temor pelo Senhor e também pelo profeta nesse momento. É um temor que denota respeito e reverência. Deus promete a sua presença no meio deles, e esse se torna o maior incentivo para que a obra fosse concluída.
Nesse momento, a voz de Deus, através das palavras do profeta Ageu produzem o resultado esperado. O povo se une em torno de um propósito. Começa o trabalho.

b) A segunda mensagem (sétimo mês, dia vinte e um, cap.2.1-9).
O profeta consola aqueles que comparam o novo templo com o antigo templo. Ageu anima o povo ao dizer que Deus estará sempre com eles.
Alguns chegaram a esmorecer quando viram que o novo templo não teria a beleza do anterior. Então começou o choro, pensando talvez, que Deus não estava se agradando do que estavam fazendo. Ageu mostra, então, que Deus sempre esteve e sempre estará com o seu povo, com o povo que ele fez um pacto.
Ageu profetiza sobre o messias dizendo que chegaria o dia esperado por todos em que ele, o redentor e também toda a casa de Deus seriam cheios de glória. E que neste templo, Deus daria a paz, personificada em Cristo, por isso, a glória deste seria maior do que a do anterior.

c) A terceira mensagem (nono mês, dia vinte e quatro, cap.2.10-19).
Alguns meses depois de começar a obra, o povo começa se queixar porque pensa não estar recebendo as bênçãos que esperava. Por isso, o profeta prega que mais importante do que trazer sacrifícios e mesmo reconstruir o templo, é ter um coração reto diante de Deus. Os muitos anos de total indiferença para com as coisas de Deus fez dos judeus um povo culpado e afastado do Senhor, e por isso não experimentava as bênçãos de Deus.
E nesse momento, Deus pede que eles sejam fiéis e aplicados no trabalho, e então ele daria as bênçãos esperadas. Se eles esperavam boas colheitas, elas viriam, se eles esperavam saciar a sua fome, isso aconteceria.

d) A quarta mensagem (nono mês, dia vinte e quatro, cap 2.20-23).
Ageu dirige a sua última mensagem a Zorobabel, que era o governador. A sentença pronunciada a seu avô Joaquim (Jr 22.23) é agora revogada, e uma promessa é dada. Nela, Deus promete preservar o seu povo em meio à queda e ruína dos outros povos do mundo. Quando todos os tronos serão derrubados, Zorobabel permanecerá no coração do Senhor. É uma mensagem de conforto e segurança. Novamente é uma mensagem messiânica porque tem o seu total cumprimento na pessoa de Cristo, o redentor que vive e reina na casa de Davi.

Conclusão
A principal lição desse livro é que nós devemos fazer o que está ao nosso alcance. Para não cruzarmos os braços na primeira dificuldade, mas avançarmos com fé e persistência, apesar das dificuldades. Certamente teremos oposição, mas isso serve para mostrar a importância da obra do Senhor. Se o inimigo tenta minar as estruturas e derrubar toda a construção, lancemos os fundamentos com firmeza e edifiquemos sobre eles. O nosso trabalho em Deus não é vão (1Co 15.58).

Aplicação
Por que obedecemos a Deus, para receber favores ou para glorificar o seu nome?
O que buscamos na nossa religião, o nosso bem estar ou a glória de Deus?
Estamos em melhor situação do que o povo a quem Ageu profetizou?
Ao sermos orientados para manter a obra de Deus e fazê-la prosperar, o que temos respondido? Aqui estou, Senhor? Ou, ainda não é tempo?

Consagração

Se no livro de Gênesis, o povo ainda estava com o seu pai Abraão; no livro de Êxodo estavam junto aos fornos do Egito; em Levítico, ao redor do Tabernáculo; em Números são vistos no deserto. Homens de guerra, exércitos, acampamentos, toques de trombetas e sons de alarme.
No capítulo 01 temos a genealogia (os homens de guerra são contados); no capítulo 02, o reconhecimento da bandeira (as posições no acampamento e marchas são indicadas); nos capítulos 03 e 04, os levitas são contados e os seus deveres descritos; no capítulo 05, há a remoção de impurezas do acampamento. E no capítulo 06vemos um tipo especial de separação, o voto nazireu (Números 6.1-21). Em hebraico, Nazar significa: separar, consagrar, abster-se.
Em Israel, nazireu era aquele que se separava dos outros ao consagrar-se a Iavé mediante um voto especial.
Para este homem havia: Proibições (não beber vinho, não cortar os cabelos e não tocar em mortos, e é basicamente sobre isso que vamos estudar), violação (se acontecesse a violação, o nazireu tinha de submeter-se a ritos purificatórios, e começar tudo novamente) e término (com sacrifícios, o corte do cabelo e a queima sobre o altar).
A ordenação do nazireado está cheia de interesse e instruções práticas. Vemos nela o caso de alguém que se põe à parte, de uma forma muito especial, de coisas que, embora não sejam absolutamente pecaminosas em si, são, todavia, prejudiciais à inteira consagração de coração que se manifesta no nazireado.
Começamos o nosso estudo perguntando: O propósito que fizermos, pode nos levar a um estado de consagração que agrade ao Senhor? O que fazemos com os contratempos no meio do caminho? Como vencer os obstáculos para uma vida consagrada? Podemos realmente viver e demonstrar, para a glória de Deus, uma verdadeira consagração?
Pensemos, primeiramente, nisso...
1. A consagração pode acontecer como resultado de um propósito definido.
O nazireu não podia beber vinho. Tudo o que vinha do vinho era proibido a ele. Ora, o vinho é o símbolo natural da alegria terrestre. O nazireu devia abster-se cuidadosamente no deserto. Para ele a ordenação era clara. Não devia excitar a sua natureza com bebida forte.
Tal era o símbolo, e está escrito para nossa instrução neste livro de Números que é muito rico em suas lições no deserto.
Mas qual é a lição que nos é ensinada na abstinência do nazireu de tudo o que pertencia à videira, desde os caroços até as cascas?
Neste mundo não houve senão um verdadeiro e perfeito nazireu, mantendo a mais completa separação de todo gozo meramente terrestre. Desde o momento em que entrou no seu ministério público, manteve-se à parte a parte de tudo o que era deste mundo. O seu coração estava posto em deus e na sua obra com uma dedicação que nada poderia alterar os seus propósitos. “Não sabeis que me convém tratar dos negócios do meu Pai?” Com tais palavras, o verdadeiro nazireu mostrava que tinha uma obra para fazer e para isso separava-se perfeitamente. Os seus olhos vislumbravam o alvo e o seu coração não estava dividido. Isto é evidente desde o principio ao fim de sua vida na terra. Podia dizer aos seus discípulos: “Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis”. E quando eles não compreendiam o sentido profundo de suas palavras, perguntando, “Trouxe-lhe, porventura, alguém de comer?“. Ele respondeu: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e fazer a sua obra”. Assim o perfeito nazireu se comportou. Desprendia-se de tudo o que era mero afeto humano, de forma a dedicar-se ao único e grande objetivo, que sempre esteve presente na sua mente.
Meus irmãos, ponderem seriamente sobre este grande aspecto do caráter no nazireu. É uma questão muito séria, saber até que ponto nós cristãos compreendemos o significado e o poder dessa extrema separação de toda a excitação da natureza e da alegria puramente terrena. Pode-se dizer: Que mal há...? E enquanto estamos no mundo, não é justo nos divertirmos nele? A isto respondemos que não é uma questão do mal que há nisto ou naquilo. Não havia nada de mal na videira. O ponto é que se alguém aspirava ser nazireu, se ambicionava esta santa separação para o senhor, tinha de abster-se do vinho e de toda a bebida forte. Os outros podiam beber, mas ele não.
A questão para nós é esta: queremos ser nazireus? É sobre esta pergunta que gira toda a questão. As alegrias terrenas podem ou não dificultar a nossa inteira consagração de alma, que é o segredo do nazireu espiritual?
Que Deus nos dê graça para ponderarmos sobre estas coisas e vigiarmos contra toda a influência negativa. Cada um sabe o que pode ser comparado ao vinho e bebida forte. Pode parecer insignificância, mas nada do que tira a nossa comunhão com Deus deve ser tratado como insignificante.
Por isso, pensemos também nesse outro aspecto...
2. A consagração pode acontecer como resultado da obediência.
Não devia cortar o seu cabelo. (Vs5). Em 1 Coríntios, Paulo ensina que uma cabeleira crescida é considerada como falta de dignidade no homem dizendo que “é desonra para o varão ter cabelo crescido”. Isso nos mostra que viver uma vida de separação para Deus, é estar disposto a abandonar e renunciar a nossa dignidade na natureza. Foi isso que Jesus fez: Humilhou-se a si mesmo. Esqueceu-se de si enquanto cuidava dos outros.
Mas parece que isso nós gostamos menos de fazer. Defendemos muito, a nossa dignidade e procuramos manter os nossos direitos. Devemos abandonar as dignidades da natureza e os gozos da terra, se quisermos trilhar o caminho de inteira separação para Deus nesta terra. Ambas as coisas estarão em breve no seu lugar, mas enquanto não chega esse dia temos de renunciar.
Aqui novamente, não é o caso de saber se o pleito é justo ou não. Como regra geral, os homens cortavam o cabelo, mas para o nazireu era mau fazê-lo. A diferença estava nisto. Era normal que todos os homens fizessem, mas o nazireu era separado do restante, seguia um caminho diferente. Mas não é justo fazer o que todo mundo faz? É justo se nos propormos a andar como os homens, mas é mau se desejamos andar como nazireus.
Isso simplifica o assunto e responde a muitas perguntas, resolvendo dificuldades. A questão é esta: Qual é o nosso verdadeiro propósito? Queremos nos comportar apenas como homens comuns ou desejamos ardentemente vivermos como nazireus. Somos dirigidos pelo Espírito ou os princípios deste mundo sem Deus e sem Cristo nos direcionam? O problema está neste Pé. O que é normal para os homens deste mundo, na maioria das vezes não é aceitável aos nazireus de Deus, isso se formos governados pela simples verdade de Deus. Tomemos o caso de Sansão, relatado no livro de Juízes, que numa má hora traiu o seu segredo e perdeu todo o seu poder, embora não o soubesse. O que mil filisteus não conseguiram foi feito pela ardileza de sua mulher. Sansão saiu da elevada posição de nazireu ao nível de um homem comum e vulgar. Por que sansão foi humilhado? Porque cedeu à natureza. Foi lhe permitido, pela graça de Deus ter uma vitória no final, mas essa vitória lhe custou a vida.
Por isso, a importância de ter objetivos definidos, e de sermos obedientes ao Senhor nos nossos propósitos. Tempo virá em que será diferente; mas no tempo presente, todos os que quiserem viver para Deus e andar no Espírito, têm de viver separados do mundo e mortificar a carne. Que Deus, em sua grande misericórdia nos ajude a fazer assim.
Resta-nos considerar uma outra característica do nazireu...
3. A consagração pode acontecer como resultado da pureza.
Não devia tocar num corpo morto. (Vs6e7). Aqui a mesma implicação. A contaminação da cabeça do nazireu. Ele já não devia perguntar o que interessava como homem, mas como nazireu. O nazireado do seu Deus estava sobre a sua cabeça. É importante que falemos que não se trata da salvação da alma, da vida eterna ou da segurança perfeita do crente em Cristo. Estamos falando do elo da comunhão pessoal. O primeiro nunca poderá ser quebrado por coisa alguma; o segundo pode ser interrompido. A doutrina do nazireado pertence ao segundo destes laços.
Vemos na pessoa do nazireu um símbolo de alguém que entra numa situação especial de dedicação e consagração a Deus. O poder de seguir neste caminho consiste numa elevada comunhão com Deus. Se a comunhão é interrompida, o poder desaparece e torna o assunto apenas solene. É triste ver um nazireu cair, mas mais triste é ver um nazireu caído procurando manter aparências. Conservemos essa frase: Em todos os dias do seu nazireado, será santo ao Senhor. A santidade é a grande característica de todo nazireu; de maneira que uma vez perdida a santidade, o nazireado acabou. Então alguém poderia perguntar: Mas e se isso acontecer? E se um nazireu se contaminar? O livro mostra que havia o holocausto, figura da morte de Cristo, a expiação mediante o sangue. Mas também a advertência. O nazireu tinha de começar tudo de novo. Não só os dias referentes ao pecado, mas tudo havia sido em vão até então.
O que isto nos ensina? Que quando nos afastamos, temos de retornar ao ponto de partida e recomeçar tudo de novo. Isso talvez explique o progresso extremamente lento de alguns de nós na vida prática. Falhamos, nos afastamos do Senhor, caímos em trevas espirituais, o Senhor nos conduz de volta por seu amor, as nossas almas são restauradas, mas nós perdemos tempo e sofremos. Isso deveria nos incentivar a sermos mais vigilantes.

Para pensar...
Vemos que a lei do nazireado nos conduz a alguma coisa futura, quando aparecerá o pleno resultado da obra perfeita de Cristo; e quando ele como messias de Israel provará, no fim de sua separação de Nazireu, o verdadeiro gozo com o seu povo. Será então o tempo de o nazireu beber o vinho. Ele separou-se de tudo a fim de dar cumprimento a essa grande obra da lei precedente. Está separado, no poder no nazireado. Virá, pois o dia em que o messias se regozijará em Jerusalém, e com o seu povo.
Quanto a nós, lembremos que a consagração pode acontecer como resultado de um propósito definido em nosso coração, como resultado da nossa obediência ao Senhor, e como resultado da pureza da nossa vida.

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